segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

7º Ano - PET 7 - 3ª Semana - DOMINAÇÃO

 

Exploração da mão de obra de africanos escravizados no Brasil


A escravidão no Brasil iniciou no século XVI com o processo de colonização das terras brasileiras. Os portugueses passaram a cultivar a cana-de-açúcar e para isso explorou a mão de obra escrava. Os africanos foram trazidos para o Brasil para realizar trabalho forçado, sem pagamento, mediante relação de subsistência e sob ameaças e violência.

O transporte de escravos da África para o Brasil era feito em condições precárias, amontoados nos porões de navios. Durante o trajeto, muitos homens e mulheres morriam e os corpos eram lançados ao mar. Aqueles que sobreviviam a viagem eram vendidos no Brasil pelos comerciantes portugueses como se fossem mercadorias.

O valor dos escravos era determinado pelo sexo, idade e condição dos dentes, tal qual se avaliavam os animais na hora compra. O preço dos escravos mais jovens, fortes e saudáveis poderiam ser o dobro daqueles mais fracos e mais velhos. Homens e mulheres pertenciam aos donos de engenho. Eles podiam ser vendidos, doados, emprestados, alugados, hipotecados ou confiscados. 


Quadro de Jean-Baptiste Debret representando o açoite de um escravo. (Foto: Wikipedia)

Condições da escravidão no Brasil


A condição da vida escrava era desumana. Os escravos se alimentavam de forma precária, vestiam trapos e trabalhavam em excesso. Trazidos da África para trabalhar na lavoura, na mineração e no trabalho doméstico, os escravos eram alojados em galpões úmidos e sem condições de higiene, chamados senzala.

Além disso, eles viviam acorrentados para evitar fugas, não tinham direitos, não possuíam bens e constantemente eram castigados fisicamente. O regime de escravidão no Brasil foi marcado por uma rotina de trabalho pesado e violência, onde os escravizados sofriam punições públicas com frequência.

O tronco, o açoite, as humilhações, o uso de ganchos no pescoço ou as correntes presas ao chão, eram bastante comum no período. Vivendo em condições precária, a média de vida útil de um escravo adulto era de 10 anos. As mulheres escravizadas eram exploradas para o serviço doméstico, assim como eram exploradas sexualmente pelos seus donos.

Os escravos eram proibidos de praticar sua religião ou qualquer outra manifestação cultural da África. Além disso, eram forçados a seguir a religião católica, imposta pelos senhores de engenho, e eram obrigados a adotar a língua portuguesa como seu idioma. A escravidão no Brasil impôs várias formas de humilhação e violência, ocasionando mortes e sofrimentos a milhares de pessoas.

História da escravidão no brasil


A escravidão no Brasil foi implantada durante o Brasil colônia, em meados do século XVI e se intensificou a partir do século XVIII, com o crescimento do tráfico negreiro. O comércio de escravos virou um negócio lucrativo e entre os anos de 1701 e 1810, quase 2 milhões de africanos escravizados desembarcaram no porto do Brasil.

A mão de obra escrava, inicialmente, foi essencial para as lavouras de cana-de-açúcar, de tabaco e de algodão e para os engenhos. Mais tarde, fundamental nas vilas e cidades, nas minas e nas fazendas de café. A posse de escravos na sociedade colonial representava riqueza e poder, pois o prestígio social dos senhores de engenho era avaliado pelo número de escravos que possuíam.

O regime de escravidão no Brasil permaneceu mesmo após independência do Brasil, em 1822. As estruturas sociais, políticas e econômicas vigentes foram mantidas e só depois de algumas décadas, com a adoção de ideias liberais o tráfico de escravos e a escravidão foram abalados. Após um longo processo de lutas e campanhas abolicionistas, a escravidão no Brasil chegou ao fim no ano de 1888.

Resistência à escravidão no Brasil


Os escravos utilizaram de estratégias de sobrevivência e usaram várias formas de resistir à escravidão e lutar por dignidade. A resistência ocorreu de diversas formas e foi de resistência violenta às negociações com os donos.

A revolta nas fazendas e fuga em massa foram uma das principais formas de resistência escrava. Os escravos fugitivos eram perseguidos pelos capitães-do-mato que capturava-os em troca de recompensa. De volta às fazendas, eles sofriam severos castigos. 

Nos anos finais da escravidão, a fuga em massa se intensificou e eles passaram a se organizar em quilombos. Os quilombos eram comunidades semelhantes às organizações comunitárias existentes na África. Nos quilombos os africanos viviam em liberdade, praticavam sua cultura, falavam sua língua e exerciam seus rituais religiosos. O quilombo mais conhecido foi o Quilombo de Palmares, comandado por Zumbi.

Houve escravos que usaram de outras formas de resistência, se opondo ao sistema de escravidão através de pequenas faltas, como o trabalho mal feito. Além disso, alguns deles se organizaram socialmente, constituindo famílias e laços de solidariedade. Esses foram outros meios encontrados pelos escravos para se fortalecer e resistir à escravidão.

Muitos escravos recorreram à negociação com donos, em busca de trabalhar para si com o intuito de acumular dinheiro e comprar a sua carta de alforria. Durante o século XVIII, período conhecido como o Século do Ouro, muitos escravos conseguiram comprar sua carta de alforria com as economias que fizeram durante toda a vida.

Campanha Abolicionista e a Abolição da Escravatura


Com o objetivo de ampliar o seu mercado consumidor no mundo, a Inglaterra passou a contestar a escravidão em meados do século XIX. Uma vez que o regime de escravidão era incompatível com a nova dinâmica capitalista, era mais interessante que fosse colocado um fim ao sistema.

Desse modo, em 1845 o Parlamento Inglês aprovou uma lei que proibia o tráfico de escravos e autorizava os ingleses abordarem e aprisionarem navios de países que continuassem com a prática.

A partir da atitude da Inglaterra, surgiram outras movimentações em prol da causa abolicionista. Em 1850, o Brasil cedeu às pressões inglesas e promulgou a Lei Eusébio de Queirós, que visava acabar com o tráfico de escravos transportados da África para o Brasil nos navios negreiros. 

Em seguida, outras duas leis abolicionistas foram aprovadas. Em 28 de setembro 1871, a Lei do Ventre Livre foi sancionada, garantindo que os filhos de escravos, nascidos a partir daquela data, não poderiam ser mantidos  em cativeiros. No ano de 1885 foi promulgada a Lei dos Sexagenários, que garantia liberdade aos escravos com mais de 60 anos.

No final da década de 1880, as campanhas abolicionistas e as pressões pelo fim da escravidão se intensificaram. O Brasil era o único país independente da América Latina que ainda vivia no regime de escravidão. Depois de pressões políticas, de lutas sociais e campanhas abolicionistas com o envolvimento decisivo dos escravizados, no dia 13 de maio de 1888, foi promulgada a Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no Brasil.
 
 



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